E por aí também estão falando do MTR/SP:
http://www.cooperativadeteatro.com.br/2010/?p=1463
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/artistas-de-rua-se-mobilizam-e-enterram-liberdade-de-expressao
O MTR/SP é um coletivo de grupos de Teatro de Rua, pensadores e interessados em geral, que discutem e lutam por políticas públicas de cultura que contemplem o teatro de rua, a cidade e o cidadão.

Artistas do MTR/SP (Movimento de Teatro de Rua de São Paulo) morrem simbolicamente no próximo dia 23 em ATO PÚBLICO pelo cumprimento da Constituição Brasileira.
“é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”
Constituição Brasileira, artigo 5º termo IX
No dia 23 de agosto (Dia do Artista e Dia Contra a Injustiça), no Largo do Paissandu, a partir das 10h, em São Paulo, os grupos de teatro de rua do MTR/SP darão início a uma manifestação repleta de intervenções artísticas, em conjunto com a Rede Brasileira de Teatro de Rua, a favor da liberação dos espaços públicos abertos (ruas, praças, vielas, jardins, parques) para realização das suas atividades artísticas. A manifestação será feita por todo o país.
Em São Paulo estão confirmadas as presenças dos grupos:
Buraco d'Oráculo
Cia As Marias
Cia dos Inventivos
Cia do Miolo
Como Lá em Casa
Grupo Teatral Parlendas
Mamulengo da Folia
Núcleo Cênico ProjetoBaZar
Núcleo Pavanelli
Pombas Urbanas
Populacho e Pic Nic
Trupe Artemanha
TUOV (Teatro União e Olho Vivo)
Os artistas seguirão em cortejo até a Praça Patriarca e o ponto alto da programação será por volta das 14h, horário em que os participantes se deitarão em frente ao prédio da prefeitura de São Paulo, montando um cemitério cênico repleto de cruzes brancas em um ato simbólico de morte do artista popular. Neste momento ocorrerá leitura a população de uma Carta Aberta (que será encaminhada aos Prefeitos, Governadores, Secretários de Cultura, MinC, FUNARTE, Conselho Nacional de Política Cultural, Conselhos Municipais e Estaduais de Cultura, vereadores, deputados e senadores).
Outras cidades do Estado de São Paulo se mobilizarão simultaneamente conforme descrito abaixo:
Em SOROCABA o grupo Nativos Terra Rasgada fará mobilização, juntamente com outros grupos da cidade, na Praça Coronel Fernando Prestes (Centro) mantendo os mesmos horários e ações da capital.
Em PRESIDENTE PRUDENTE os grupos Circo Teatro Rosa dos Ventos, Os Mamatchas e outros grupos integrantes da Federação Prudentina de Teatro marcarão presença com banda e na companhia lúdica do bonecão caricatura “Secontrário de Cultura”. Os locais da manifestação serão as entradas: do Teatro Municipal e Teatro César Cava no horário de abertura dos espetáculos do FENTEPP (Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente), que terá início no dia 20 de Agosto e cuja programação detalhada ainda não foi divulgada no site oficial do evento, fato questionado pelos grupos envolvidos na manifestação.
SOBRE O MTR / SP
O Movimento de Teatro de Rua da Cidade de São Paulo (existente desde 2002) agrega diferentes grupos e companhias de teatro de rua, pensadores e afins que visam a construção de políticas públicas permanentes que garantam a continuidade de pesquisa, produção e circulação do teatro de rua nessa cidade. O Movimento propõe ações que possibilitam o desenvolvimento de reflexões sobre o teatro de rua em âmbito nacional, bem como sobre sua relação com a cidade. Os integrantes do movimento de teatro de rua da cidade de São Paulo defendem a valorização do espaço público aberto como local de criação, expressão e encontro, compreendendo que assim esse espaço torna-se ambiente propício à ampliação da cidadania de quem com ele se relaciona.
Realizações:
- 1º Seminário de Teatro de Rua (2003);
- Overdose de Teatro de Rua – 5 edições;
- 1ª Temporada de Teatro de Rua de São Paulo (2004);
- MOSTRA DE TEATRO DE RUA LINO ROJAS – 4 edições (a 5ª edição ocorrerá ainda em 2010)
- Revista Arte e Resistência – 2 edições;
- Participação na criação da Rede Brasileira de Teatro de Rua.
Sobre a RBTR (Rede Brasileira de Teatro de Rua)
Criada em 2007, a Rede Brasileira de Teatro de Rua é atualmente formada por movimentos e grupos de 27 estados brasileiros. Já realizou sete encontros, trazendo inclusive grupos da Argentina e da Colômbia para os debates.
A Rede Brasileira de Teatro de Rua é um espaço físico e virtual de organização horizontal, sem hierarquia, democrático e inclusivo
INFORMAÇÕES:
Manifestação a favor da liberação dos espaços públicos abertos para a realização de atividades artísticas.
São Paulo (capital)
Dia 23 de Agosto de 2010
Horário: Das 10h às 14h.
Local: Largo do Paissandu (concentração) seguindo em cortejo até a Praça do Patriarca (centro de São Paulo)
CONTATO: Aurea Karpor (11) 8337-5168 - aurea@projetobazar.com.br
Sorocaba
Dia 23 de Agosto de 2010
Horário: Das 10h às 14h.
Local: Praça Coronel Fernando Prestes (centro)
CONTATO: Flávio Melo (15) 9748-3690 – flavio@nativosterrarasgada.com.br
Presidente Prudente
Dia 23 de Agosto de 2010
Horário: início dos espetáculos do FENTEPP
Local: Entrada dos Teatros:
Teatro Municipal Procópio Ferreira - Piso inferior da Prefeitura Municipal de Pres. Prudente – SP - Av. Cel. José Soares Marcondes, n° 1200 – Centro
Teatro César Cavas - Rua José Bongiovane, 700
CONTATO: Lois (18) 9747-6867 – lpvalente@hotmail.com
TODOS ESTÃO CONVIDADOS A PARTICIPAR!!!
MTR/SP
http://mtrsaopaulo.blogspot.com/
Durante três dias, o estar junto e a reflexão tiveram um significativo e prazeroso significado. Encontro com iguais e curiosos, o Primeiro Fórum de Teatro de Rua, organizado pelo Movimento de Teatro de Rua de São Paulo e pelo Núcleo Regional de Pesquisadores de Teatro de Rua (SP) conseguiu tentos absolutamente significativos. Com número de participação variando entre 50 e 100 pessoas, por período (e foram 6 períodos - excetuando-se a noite de sexta-feira, em que houve o lançamento do segundo número da revista Arte e Resistência na Rua), o evento passou por questões importantes e resolveu encaminhá-las para discussão, organização dos sujeitos inseridos e interessados no processo e encaminhamentos necessários.
De modo geral, tendo em vista a programação do evento - dividindo reflexão principalmente dialógica (muitos dos fazedores de teatro de rua participaram das cinco mesas) e outras atividades (intervenções artísticas, coletas de relatos,[1] lançamento de revista, ida a espetáculos) - a crítica ao evento foi bastante positiva.
Em 29/07, fruto das discussões, foram destacados os seguintes pontos:
- dificuldade muito maior para o grupo existir do que para produzir seus espetáculos. A dificuldade decorre, sobretudo, das distintas e sempre presentes formas de repressão.
Ação I. A primeira ação coletiva proposta a todos foi: montar uma espécie de dossiê, construído coletivamente a partir de relatos de experiências dos companheiros que já passaram por problemas com as autoridades cerceadoras. Nesses relatos, a ideia é apresentar os estratagemas de que se lançou mão para socialização das táticas de conquista àqueles que passam pelos mesmos problemas. Esta ação será centralizada por Simone Pavanelli. Alexandre Mate, conforme compromisso público fará a redação final.
- denúncia quanto às proibições de passar o chapéu ao fim do espetáculo (em São Paulo: SESCs e projeto Teatro nos Parques). No sentido de criar uma carta-documento (de protesto contra este tipo de arbítrio), o companheiro Antônio Sobreira, do grupo Rosa dos Ventos (Presidente Prudente), escreveu a carta abaixo que, em curto espaço de tempo, deverá receber acréscimos para encaminhamento às instituições que se arrogam ao direito de impor "seus pontos de vista" triturando uma significativa tradição e história. Apresenta a carta:
O Chapéu e a arte de rua
O teatro e os artistas que fazem arte de rua têm seu reconhecimento em projetos governamentais, empresas que investem em cultura. Com esse reconhecimento é comum que o teatro de rua seja recebido por instituições que antes davam mais atenção ao teatro de palco.
O teatro de rua, entretanto, tem uma importante tradição com seu público que é o "passar o chapéu" ao final da apresentação. Esta prática tradicional, cuja documentação histórica remonta ao período medieval, tem sido proibida, coibida ou evitada em alguns desses novos locais de apresentação.
O artista de rua não depende apenas dos projetos e das instituições que os contratam, mas sim da população que é o berço e companheiro de seu trabalho. Nesse sentido, ser coibida a passagem do chapéu tem uma função negativa para a educação do público no que concerne à valorizar a arte apresentada na rua.
Não é apenas uma questão de manter uma tradição por seu charme medieval, mas sim de garantir a auto sustentação da arte e manter uma relação com o público que é fundamental para o reconhecimento desses artistas de rua.
Esse ato tem caráter de defesa de um posicionamento segundo o qual a arte de rua deve viver da rua. Tomada essa posição, significa dizer que esse movimento não pretende migrar para as salas e ambientes tradicionais para as artes cênicas, mas sim, manter seus pilares em sua origem que é chegar sempre em locais que a arte dificilmente consegue chegar.
Esta carta tem o objetivo de orientar artistas e interessados em compreender que "passar o chapéu" é um ato de preservação do teatro e da arte de rua que tem como prioridade as trocas de experiência nos espaços públicos por princípios estéticos, de conteúdo artístico, político e baseados nos direitos humanos universais sobre o acesso aos bens culturais.
Diante do exposto, solicitamos o reconhecimento da legitimidade, do princípio ético e pedagógico contido no ato de passar o chapéu ou outro procedimento que peça de forma espontânea que as pessoas contribuam com a arte de rua, independente da política e de normas institucionais que restrinjam essa prática inerente ao artista de rua.
Ação II. Portanto, como segunda tarefa de todos, compreendendo apresentar acréscimos e sugestões à carta ela encontra-se aqui anexada. Esta ação pode ser centralizada pela sempre querida companheira Simone Brites Pavanelli.
Ação III. Criação de comissão de representação do Núcleo Regional de Pesquisadores de Teatro de Rua (SP) para administrar, encaminhar gestões, socializar informações acerca dos fazedores de teatro de rua. Nas decisões sugeridas de sábado, 31/07, no primeiro andar do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, com mais de 30 pessoas presentes, deliberou-se:
- comissão jurídica, centralizada em Romualdo Bacco e Cícero Almeida (ambos do Teatro Popular União e Olho Vivo) para gerir, sugerir, delegar e socializar encaminhamentos de natureza legal. Cabe à esta comissão a análise e divulgação de procedimentos jurídicos indicando normas, leis, pareceres, indicativos para resolução de problemas ligados aos corpus jurídicos constitucionais.
Fundamental que esta comissão possa estar afinada à OAB, ao departamento jurídico da Cooperativa Paulista de Teatro e outras instituições afins.
- comissão de imprensa, formada por Aurea Karpor (Bazar), Natália Siufi (Parlendas), Luciano Santiago (Artemanha).
- comissão de representação nacional e internacional, formada por Marcos Pavanelli (Núcleo Pavanelli), Oswaldo Pinheiro (Cia. Estável) para promover gestões junto aos poderes constituídos: audiências públicas, ida e organização de comissão para discutir com instâncias do poder municipal, estadual e federal.
- comissão de produção de vídeo, constituída pelo sempre presente Fernando Mastrocola e Rogério Ramos (Trupe Olho da Rua). Dentre as principais incumbências, foi tirada uma proposta de coleta de imagens para criação de um vídeo-denúncia de atos arbitrários contra os criadores.
Ação IV. Escrever uma carta conclamando e estimulando, nas cidades onde houver alguma articulação e artistas militantes, a criação de núcleos regionais de pesquisadores em teatro de rua.
Desse modo, a carta abaixo, escrita pela sempre presente companheira do Tá na Rua, Jussara Trindade, caracteriza-se em uma primeira proposta de conclamação. Assim, em prazo relativamente curto, algumas sugestões podem ser acrescentadas à carta para que possamos colocá-la em diferentes fontes documentais como blogs, jornais e boletins de grupos, jornais locais: cidades, universidades etc.
Para organizar as sugestões, enviar propostas para a comissão de imprensa.
Caros companheiros do Núcleo,
Nos dias 29, 30 e 31/07 tive o prazer de participar das atividades do 1º Fórum do Núcleo Regional de Pesquisadores de Teatro de Rua (SP), evento articulado à 5ª Mostra de Teatro de Rua Lino Rojas, em São Paulo. Foram três dias de debates sobre vários temas de interesse para a nossa prática artística que finalizou com a constatação de que o Núcleo de Nacional de Pesquisadores torna-se, cada vez mais, um espaço de reflexão fundamental para a construção de um novo pensamento teatral no País, processo no qual o teatro de rua adquire hoje extrema importância.
Nesse sentido, somente com o esforço de pesquisadores de todos os Estados alcançaremos o patamar que almejamos - dar visibilidade e legitimidade aos saberes que sustentam o nosso fazer teatral.
Por isso, faz-se necessária a criação de Núcleos Regionais, no sentido estrito de buscarmos a união entre os pesquisadores que se encontram espalhados pelo País, a fim de fortalecermos nacionalmente as nossas convicções. Ainda que a tarefa seja difícil - em função do número reduzido de pesquisadores, em alguns Estados da Federação - talvez já seja possível congregar alguns integrantes que, a exemplo de São Paulo, estejam interessados em trocar experiências, formar grupos de estudo ou realizar outro tipo de compartilhamento permanente, não necessariamente atrelado a um evento maior.
Enfim, a experiência da criação do Núcleo Regional de Pesquisadores de Teatro de Rua (SP) mostra que esse é um caminho possível para o crescimento coletivo, onde todos podem aprender e ensinar simultaneamente.
A proposta que trago do Fórum é esta: vamos trocar ideias a respeito?